quarta-feira, 17 de novembro de 2010

  Tu eras simples. Tu não julgavas e quando alguém precisava eras uma das primeiras que se aproximava. Eras carinhosa. Eras protectora e acima de tudo não apontavas o dedo sabendo que a pessoa podia ser bem melhor que tu. Não gozavas. Não criticavas, apenas aceitavas. Quando algo não estava bem limitavas-te a ouvir e calar e de seguida não tinhas ataques de choro. Não te aprisionavas num mundo só teu e muitos tinham acesso a ele. As pessoas conseguiam a tua confiança com apenas um sorriso e um olhar sincero, hoje para chegar a ti precisam bem mais que isso. Primeiro precisam de ter interesses minimamente parecidos com os teus. Segundo precisam de ser sinceros. Terceiro precisam de ter sentimentos. Quarto precisam de te compreender. E por fim precisam de te valorizar, pelo menos minimamente. 
  Revirando o tempo e vendo todos os momentos que só uma pessoa tem ao rever tudo vejo as tuas imperfeições até ao momento. Vejo a falta dos teus sorrisos sinceros e verdadeiros. Com o tempo aprendeste a chorar na escuridão isolada de todos e tudo. Aprendeste ainda a ter mais medo do sol do que a própria noite silenciosa. Aprendeste a ter medo do silencio das palavras mudas. Aprendeste a ter medo de meros e simples olhares, fugindo assim de uma realidade. Não vivendo histórias mas sim destruindo-as.
  Hoje encarando a realidade pergunto-me como é que é possível uma pessoa mudar tanto? Sinto amargura disso, porque ao longo da jornada a única culpada é aquela que vê com os seus próprios olhos e não aceita logo desde o primeiro momento toda a mudança. 
  Percorreste sempre o caminho inverso. A pessoa que tu eras sabias-lo e agora por mais que estejas arrependida e eu sem que estás, não podes voltar atrás...


Sem comentários:

Enviar um comentário